1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7

Programme 7

2018-07-27 | 17h
XXXXXXXXX: XXXXXXXXX
(XXXXXXX, 1979)
Projection followed by discussion with
XXXXXXX and XXXXXXX
Session duration: 180 Min. | M / 16

Numa parceria entre a IFILNOVA (CineLab) / Universidade Nova de Lisboa, o Goethe-Institut Portugal e a Maumaus / Lumiar Cité, a partir de Maio de 2018, no Auditório do Goethe-Institut (Lisboa) decorre o evento
Problematizar a realidade: encontros entre arte, cinema e filosofia. Sete programas interdisciplinares reúnem convidados internacionais que oferecem perspetivas múltiplas sobre o pensamento contemporâneo: artistas, cineastas, filósofos e investigadores dos campos cultural e político. Cada sessão parte da exibição integral de obras, seguida de uma discussão que pretende instigar um diálogo entre a prática artística e a reflexão teórica.

As obras de ordem documental, nomeadamente aquelas que usam o filme ou o vídeo como suporte, apelam à reflexão sobre a realidade de modo particularmente desafiador. Enquanto a ligação indexante à realidade que abordam garante ao som e à imagem uma credibilidade específica, a posição do artista, as escolhas estéticas, temáticas e políticas, a compreensão subjetiva e a sensibilidade artística determinam como essa realidade é mediada.
Se nos meios de massa a parte da mediação pode ser diluída, ou mesmo omitida - e, assim, as imagens são ideologicamente apresentadas como representações objetivas da realidade factual -, as obras de arte incluem a mediação e a configuração estética para abordar a realidade, levantando um conjunto de temas e questões que são fundamentais não só para o campo artístico, como para o pensamento filosófico: a reflexão sobre a relação entre o mundo factual e a sua apropriação subjetiva, o questionamento das reivindicações hegemónicas de objetividade e autoridade, ou a problematização das contradições inerentes à sociedade. O que significa abordar criticamente a realidade através de uma forma artística? Se não geram apenas uma impressão de evidência e imediatismo, como é que as constelações artísticas pensam e nos fazem pensar? Como pode um específico conteúdo de verdade ser descodificado através da montagem, do ritmo ou de um arranjo em constelação? Qual é o agenciamento de uma determinada forma artística em relação ao seu conteúdo? Como poderão os problemas políticos, éticos ou epistemológicos ser abordados através de uma inteligibilidade do sensível? E como ajudará o pensamento filosófico a medir o seu impacto e desenvolver os seus diferentes estratos de significado?

XXXXXXXXXX (Alemanha, 1932), considerado um dos mais importantes intelectuais alemães contemporâneos, trabalha como cineasta e filósofo. Durante a juventude, conviveu com Theodor Adorno e Fritz Lang. Descrito como “o filho favorito de Adorno” (Oskar Negt), durante o último meio século, Kluge criou um vasto corpo de trabalho que pode ser considerado herdeiro da Critical Theory da Escola de Frankfurt. Foi um dos autores do Manifesto de Oberhausen, que lançou o movimento do Novo Cinema Alemão, no qual também participaram Rainer W. Fassbinder, Werner Herzog, Margarethe von Trotta, Volker Schlöndorff ou Wim Wenders. “Abschied von gestern - (Anita G.)” (1965), o seu primeiro filme e o mais próximo do Novo Cinema Alemão, recebeu o Leão de Ouro no Festival de Veneza. Atualmente, a sua obra encontra um novo público através de exposições em centros de arte contemporânea, incluindo: “Alexander Kluge. Pluriverse”, Museum Folkwang, Essen (2017); “The Boat is Leaking. The Captain Lied”, Fondazione Prada, Veneza (2017); ou “Alexander Kluge: Gardens of Cooperation”, Kunstverein Stuttgart (2017).